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domingo, 8 de abril de 2012

Sermão: Atitudes de Jesus como Mestre. Jo 1:35-51.


Jo 1:35-51.


Introdução

A presente mensagem testemunha os primeiros contatos feitos por Jesus para a convocação das pessoas ao discipulado. 

Se esta passagem do Evangelho de João for comparada aos textos paralelos de Marcos, Lucas e Mateus, podemos estranhar, pois a ordem da chamada não é coincidente. Na verdade, João focaliza apenas o primeiro contato de Jesus com as pessoas com as quais, futuramente, comporia a formação de seu discipulado efetivo.
1.35. No dia seguinte, João estava outra vez na companhia de dois de seus discípulos. Este é o terceiro dos quatro dias suces­sivos, discutidos em 1.19-51

Como já havia acontecido anteriormente, João Batista ocupa um lugar de destaque, próximo ao Jordão, e está dando seu testemunho a respeito de Jesus. Enquanto no dia anterior ele tinha se dirigido a uma multidão, nesse dia ele está em companhia de dois de seus discípulos (André e o próprio apóstolo João).
(36) “E ele olhou para Jesus, que ia passando”. Outra diferença entre os dois dias é a seguinte: no dia anterior, Jesus estava indo na direção de João Batista; neste dia, Ele está, evidentemente, caminhan­do para longe dele, em direção ao lugar onde estava morando nesse tempo. (Ver vs. 38b e 39).
E também, enquanto no dia anterior o testemunho de João Batista não tinha trazido nenhuma resposta ativa da parte dos dois discípulos, neste dia esses dois homens dão um passo decisivo do qual se lembra­rão para o resto da vida.
Ouvimos, uma vez mais, o mesmo testemunho dado no primeiro dia: E (ele) disse: Eis o Cordeiro de Deus. Entretanto, observe que este testemunho é mais conciso do que o anterior. Talvez somente a primeira parte da frase encontrada no versículo 29 fosse necessária para recordar a sen­tença toda.
E os dois discípulos, que o ouviram (seu mestre, João Ba­tista) dizer isso, seguiram a Jesus.
O evangelho de João tem como propósito expor a divindade de Jesus. Jesus é Deus e possui atributos divinos.
Eu preguei nesse texto recentemente olhando para ele numa perspectiva dos discípulos. Vimos formas de comprometimento para ser um discípulo de Jesus Cristo.
Quando olhamos para as pessoas, nós não conseguimos enxergar o que está dentro delas. Nós gostaríamos até de conseguir isso, mas isso não é possível para nós. Muitos acabam julgando pela aparência, afinidade, atitudes que a pessoa tem, mas esses julgamentos não são relevantes.
Hoje eu tenho como proposta meditar nesse texto tirando  lições de como Jesus enxergou esses futuros discípulos. Veremos que Jesus, sendo Deus, olhava para cada um deles e enxergava muitas coisas que só Ele poderia ver.
O que então Jesus observou na vida dos seus futuros discípulos? O texto que lemos aponta Jesus observando três áreas na vida dos discípulos.

1º) Jesus observou as suas motivações. (38)

É sempre um tema interessante e proveitoso tentar decidir qual destas duas posições é mais perigosa para um homem - declarar franca e abertamente que não tem qualquer interesse em Cristo e na religião ou seguir a Cristo motivado por uma razão falsa ou errada.
Eu creio que há uma distinção muito importante entre os dois se os examinarmos puramente do ponto de vista humano, pois o problema com o homem que segue a Cristo por uma razão falsa ou errada é que ele não só esta iludindo a si mesmo, mas também está enganando a Igreja. Mas quando nos defrontamos com um quem não crê em Cristo, então sabemos exatamente o que dizer e o que fazer com ele. Quando um homem se apresenta como uma pessoa religiosa, a Igreja tende a aceitar suas declarações pensando que seria um insulto questioná-lo. A Igreja presume que uma vez que ele professa ser religioso, isso significa que ele é um cristão.
Vemos uma excessiva prontidão em ligar o fato de alguém ser membro de uma Igreja com verdadeiro discipulado, presumindo que todos aqueles que se unem à Igreja realmente estão seguindo a Cristo.
E Jesus, voltando-se e tendo fixado seus olhos neles enquanto o seguiam, disse-lhes: O que vocês estão procuran­do? Note: não a quem (vocês estão procurando), mas o quê.
Em sua resposta, os dois discípulos de João Batista usam um termo respeitoso para se dirigirem a Jesus: "Rabi". Essa palavra significa mestre ou professor."
Assim, os dois discípulos estão perguntando: “Onde estás morando” . A coisa importante que temos a observar é que os discípulos desejavam ter uma oportunidade ­para conversarem com Jesus sem que fossem interrompidos. Como isso era quase impossível quando estavam a céu aberto, eles pergun­tam onde Jesus estava morando nessa ocasião, claramente dando a entender que desejavam receber um convite para visitá-lo. O que os motivava a seguir a Jesus era conhecê-lo melhor, passar um tempo com ele, não somente querer receber bênçãos Dele. 

 39. “E ele lhes disse: Venham e verão”. A resposta foi melhor do esperavam. Eles recebem o convite para acompanhar Jesus. “En­tão eles foram e viram onde Jesus estava morando." Eles foram e viram. Eles procuraram e encontraram.

Eles não duvidaram em segui-lo. Não foi mencionado o que eles fizeram na casa de Cristo; mais adiante, porém, no v.41, podemos deduzir que eles aprenderam com Ele o que a Lei, os profetas e os Salmos profetizaram a Seu respeito, visto que André, ao encontrar seu irmão Simão, contou-lhe ter achado o Messias. Ele compreendeu que Jesus era o prometido, o enviado, o Ungido de Deus. Fato semelhante ocorreu com Filipe, que informou ao irmão  Natanael  ter achado “aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas, Jesus de Nazaré, filho de José” (v.45).Saíram da casa de Jesus com novos conhecimentos, nova mentalidade.
E ficaram com ele aquele dia; era mais ou menos a hora dé­cima. O que é mais importante quanto a isso não é "O que o autor quis dizer por hora décima?", mas sim "Por que o autor menciona o detalhe da hora?"
A expressão "hora décima" pode significar quatro horas da tarde pelo horário judaico, dez horas da manhã  ou dez horas da noite pelo horário romano. Entretanto, o contexto torna completamente impossível pensar em dez horas da noite.
Nesse dia, Jesus mudou completamente a vida dele (João)! A impressão foi tão profunda que ele nunca mais esqueceu a hora exata em que o convite lhe fora feito e ele tomara a decisão de aceitá-lo.
Seguir a Cristo não é suficiente; devemos segui-lo com motivações certas. A passagem intensifica o significado de que ser discípulo de Cristo é, prioritariamente, conhecê-lo, ser seu companheiro, e ter comunhão com Sua pessoa. Isso é muito mais do que ir a Igreja, participar das programações que a Igreja faz, acampamentos, programações especiais, tocar ou  cantar no louvor.
Seguir a Cristo, não somente implica em segui-lo aonde vai, mas também demanda ser o que Ele é.
Devemos examinar quais sãos as nossas motivações ao seguir a Jesus. Será que o que nos motiva é servi-lo, estar em comunhão com ele, na presença Dele com alegria e prazer?
Porque você segue a Jesus? Você segue por que seus pais seguem, porque seus amigos seguem, ou porque muitos seguem?  Porque quer resolver seus problemas apenas, quer arrumar uma namoradinha, segue porque já está acostumado a seguir?
João 6:26  Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes”.
Ele estava sugerindo que essas pessoas tinham uma razão puramente mercenária e materialista para segui-lO. Vieram correndo após o Senhor, e aparentemente O estavam adorando; mas não estavam realmente interessadas no aspecto espiritual, no divino e no sobrenatural. Por que O seguiram? Porque receberam dEle aquilo que as atraía — os pães.
 Podemos mentir para as pessoas, mas para Jesus não dá para mentir. É impossível! Ele conhece o nosso intimo, nossas intenções e sabe porque estamos aqui nessa noite.
O meu desejo é de que nós tenhamos verdadeiras razões para seguir a Jesus. Ele se alegra de discípulos que o seguem com a  motivação certa. Um seguir que envolve compromisso e amor pelo seu mestre.

O que então Jesus observou na vida dos seus futuros discípulos?

2º) Jesus observou as suas limitações. (42)

42. Jesus olhou para ele, ou seja, Jesus, observando-o, estudou-o por um momento: literalmente, considerou-o, ou examinou-o.
E ele disse: “Você é Simão, filho de João. Você será chamado Cefas (que traduzido quer dizer Pedro”). Jesus, agindo aqui em seu ofício profético, olha para o futuro e vê nele a enorme transformação que o impulsivo Simão, que estava ali diante dele, naquele dia, haveria de sofrer, a ponto de se tornar Cefas (em aramaico) ou Pedro (em grego), isto é, a Rocha. Portanto, Jesus aqui prediz o que a graça divina iria realizar no coração e na vida desse discípulo.
Receber um novo nome signi­fica entrar em uma nova relação com Deus.
Era uma promessa de Jesus para Pedro sobre seu futuro. É só olhar para Pedro depois da ressurreição no livro dos Atos dos Apóstolos para ver esta verdade.
Ao dar um novo nome a Simão, Jesus mostrou que estava apontando para uma mudança de caráter dele. Pedro tinha suas limitações de Caráter. Mas, mesmo assim, Jesus transformou Pedro em uma grande líder da Igreja.
Pedro tinha deixado tudo por Jesus, andado sobre as águas, tinha sido o forte defensor de Jesus (cortou a orelha), foi o primeiro a confessar a Sua divindade. Quando vem a pergunta: Amas-me mais do que estes? Ou do que a Pesca? Você me ama mais do que tudo isso?  Aí vem a nossa mente o texto de: 

Mateus 26:33Então Pedro disse a Jesus: —Eu nunca abandonarei o senhor, mesmo que todos o abandonem” Ele se  sentia superior, afirmou ter um amor e lealdade maior do que os outros. A sua auto satisfação e realização estavam em jogo. 

Em João 13:37: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a própria vida”.

Apesar de Deus conhecer as suas limitações e pecados, ele te chama para ser discípulo Dele. (Apascenta) (16) Cuide, governe e guie, alimente, dê de beber, acompanhe,  amizade íntima e proteja.
Jesus conhecia o coração de Pedro, o estado do seu amor, e sua condição quebrantada, e assim o comissiona: Quem chamaria uma pessoa assim para ser seu discípulo? Jesus o chamou !
Deus vê em nós o que vamos ser na Sua obra. Não por méritos próprios, mas porque Ele vai nos usar. Deus chama pessoas limitadas. Pedro tinha muitas limitações, tinha um caráter reprovável, mas são esses que Deus chama e que usa.
Talvez você fique pensando: será que Deus me chamaria para ser Seu discípulo? Eu sou tão limitado, mal!! A Bíblia nos mostra  que Deus chama pessoas limitadas e as transforma para sua Glória e honra! Deus mostra a Sua maravilhosa Graça sobre a vida de pecadores como Pedro e faz de nós objetos do teu poder!

3º) Jesus observou as suas objeções. (46).

Filipe encontrou Natanael, um homem de Caná da Galiléia. Quando Natanael ouviu que Jesus era o filho de José, da cida­de de Nazaré, exclamou: "De Nazaré pode sair alguma coisa boa?"
A resposta de Natanael mostra estar ele descrente sobre o Messias ser um nazareno -  não porque Nazaré tivesse  má reputação,  que era da  cidade vizinha - mas, talvez, porque nenhuma das três literaturas judaicas da época citava um profeta nazareno ou relacionava  um nazareno com o Messias. Nazaré não tinha qualquer expressão na profecia bíblica.
Filipe, por já acreditar no que afirmava, prontamente desafiou-o:Vem e vê! 
Apesar de sua descrença, Natanael se surpreendeu ao ser  abordado por Jesus. A forma viva e reveladora, com que o Senhor se referiu a ele, como um crente, um israelita em cujo coração não há dolo, não há engano, impactou-o. Era um homem íntegro, por inteiro. Ouvindo isso, perguntou a Jesus de onde Ele o conhecia : “... eu te vi, quando estavas debaixo da figueira”, foi a resposta.
À luz de todo o contexto (ver v. 51), torna-se evidente que, pelo relato de sua conversa com Natanael, Cristo está pensando no patriarca Jacó.
O primeiro israelita foi Jacó depois que Deus lhe mudou o nome. Jacó queria dizer usurpador, enganador, mentiroso, falsário. Mas a diferença do velho Jacó, em Natanael não há dolo, seu passado está completamente apagado. Suas raízes foram esquecidas. Sua história começou de novo. Esta é uma das coisas maravilhosas que o evangelho tem. Não importa quem foi você, nem como você viveu quando não conhecia a Cristo. Sua vida começa quando você entrega o coração a Jesus. Você entende? Neste momento, você pode ter todo seu passado apagado pela graça de Jesus.
Enquanto Natanael desconsidera Jesus, Ele o trata com elogios!
Natanael descobre, em meio a um grande deslumbramento, que o olhar penetrante de seu novo Mestre havia entrado até mesmo no santuário de suas devoções interiores, quando se encontrava debaixo da figueira.
Jesus respondeu e lhe disse: Porque eu disse que o vi debaixo da figueira, você crê. Maiores coisas do que estas você verá.

Ele era um homem questionador e Jesus usou de suas duvidas para mostrar quem Ele era.
O chamado de Natanael nos ensina também a grande lição de que Jesus busca pessoas com dúvidas, interrogações e questionamentos, céticas quanto a Deus. Portanto se você, neste momento, está ouvindo esse sermão e se considera cético quanto as coisas de Deus, com dúvidas e mais dúvidas, saiba que Deus quer te salvar e esclarecer todas elas. Ele te ama e vê em você qualidades.
 Você é uma das pessoas que Jesus está buscando. Por que não abrir o coração para Ele?


Um comentário:

  1. Glória a Deus por esta linda mensagem! Usarei hoje no meu PGM. Ser líder não é fácil e esta mensagem fortalece nosso coração

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